
Imagem meramente ilusrativa
Uma mistura de disputa e festa que divide a cidade em dois grupos,
cada um com sua cor característica, também divide famílias e amizades, antes,
durante e alguns dias depois da competição, enquanto durar os ânimos. Isso
lembra muito as festas folclóricas de bois-bumbás, muito populares no Norte e
no Nordeste. Mas estamos falando das eleições em uma pequena cidade de Santa
Catarina, no Sul do Brasil.
A diferença das festas do norte é a data. O “boi” de Maracajá acontece a cada dois anos, no período eleitoral. A cidade se divide em “Pés-Brancos” e “Pés-Vermelhos”. Mas nem todos são partidários. Há cerca de 25% em cada pé. A outra parte da cidade (50%) são espectadores e se misturam com as torcidas organizadas. Alguns são pagos para torcer, outros são iludidos com as promessas. Poucos são os que apenas observam com um olhar mais ponderador ou crítico. Esses são os que mais “apanham” durante o confronto. Ao inverso do que prega a Bíblia, em Maracajá a regra é essa: “quem não é por nós, é contra nós”. Os neutros apanham dos dois lados. Por isso muitos preferem entrar na briga.
Nessa competição do “Boi-Bumbá” de Maracajá os ânimos se alteram. Vale tudo para ganhar. Pouco importa as propostas ou o representante de cada grupo a ser eleito. Não importa se a vida das pessoas vai melhorar ou piorar depois da eleição. O importante é ganhar e humilhar o adversário. As provocações, acusações, xingamentos e ofensas pessoais são constantes durante toda a campanha, mas não param por aí. Quando terminam as votações e já tem um ganhador, as coisas ficam piores. Os perdedores acusam, apontando desonestidade e os ganhadores, durante as semanas seguintes continuam a comemorar, humilhar e tripudiar sobre os perdedores.
Raras as vezes na história da pequena Marcajá houve uma terceira via
na disputa eleitoral. E nessas vezes o resultado foi vexaminoso. Não há interesse
dos poderosos em quebrar essa tradição. É conveniente contar com torcida
organizada em uma campanha. A festa do “boi” de Maracajá cega as pessoas e as
coloca como rebanho. Não há boi nessa festa em Maracajá. Há sim, uma boiada em
um confronto insano, onde os olhos se fecham e os pés, brancos ou vermelhos, levam
o rebanho, cego, para o seu destino.











