sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Eleições – o “Boi-Bumbá” de Maracajá

Imagem meramente ilusrativa

Uma mistura de disputa e festa que divide a cidade em dois grupos, cada um com sua cor característica, também divide famílias e amizades, antes, durante e alguns dias depois da competição, enquanto durar os ânimos. Isso lembra muito as festas folclóricas de bois-bumbás, muito populares no Norte e no Nordeste. Mas estamos falando das eleições em uma pequena cidade de Santa Catarina, no Sul do Brasil.

A diferença das festas do norte é a data. O “boi” de Maracajá acontece a cada dois anos, no período eleitoral. A cidade se divide em “Pés-Brancos” e “Pés-Vermelhos”. Mas nem todos são partidários. Há cerca de 25% em cada pé. A outra parte da cidade (50%) são espectadores e se misturam com as torcidas organizadas. Alguns são pagos para torcer, outros são iludidos com as promessas. Poucos são os que apenas observam com um olhar mais ponderador ou crítico. Esses são os que mais “apanham” durante o confronto. Ao inverso do que prega a Bíblia, em Maracajá a regra é essa: “quem não é por nós, é contra nós”. Os neutros apanham dos dois lados. Por isso muitos preferem entrar na briga.

Nessa competição do “Boi-Bumbá” de Maracajá os ânimos se alteram. Vale tudo para ganhar. Pouco importa as propostas ou o representante de cada grupo a ser eleito. Não importa se a vida das pessoas vai melhorar ou piorar depois da eleição. O importante é ganhar e humilhar o adversário. As provocações, acusações, xingamentos e ofensas pessoais são constantes durante toda a campanha, mas não param por aí. Quando terminam as votações e já tem um ganhador, as coisas ficam piores. Os perdedores acusam, apontando desonestidade e os ganhadores, durante as semanas seguintes continuam a comemorar, humilhar e tripudiar sobre os perdedores.

Raras as vezes na história da pequena Marcajá houve uma terceira via na disputa eleitoral. E nessas vezes o resultado foi vexaminoso. Não há interesse dos poderosos em quebrar essa tradição. É conveniente contar com torcida organizada em uma campanha. A festa do “boi” de Maracajá cega as pessoas e as coloca como rebanho. Não há boi nessa festa em Maracajá. Há sim, uma boiada em um confronto insano, onde os olhos se fecham e os pés, brancos ou vermelhos, levam o rebanho, cego, para o seu destino.

RCD disponibiliza Carta Brasileira para Cidades Inteligentes

Versão final deve ser lançada em dezembro após consolidação dos dados da consulta pública encerrada no último dia 14

 

A Rede Cidade Digital (RCD) disponibiliza a prefeitos, gestores e novos eleitos versão da Carta Brasileira sobre Cidades Inteligentes que deve ser lançada oficialmente em dezembro pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), em parceria com outros ministérios e instituições. O documento, que estava em consulta pública até o dia 14 deste mês, pretende auxiliar o planejamento dos municípios que buscam o desenvolvimento socioeconômico através da inovação. Ele pode ser acessado no portal http://redecidadedigital.com.br/

 

O tema foi destaque nesta quarta-feira (18) na estreia do RCD Cidades, o novo programa de entrevistas da Rede Cidade Digital, conduzido pelo diretor da RCD, José Marinho. De acordo com a coordenadora-Geral de Transformação Digital do MCTI, Eliana Emediato, primeira entrevistada do RCD Cidades, a carta surge como uma agenda pública para investimentos em tecnologia e inovação nos municípios a partir de 2021.

 

Para a coordenadora de Transformação Digital, o desafio será fazer com que o conceito de uma cidade inteligente seja priorizado pelos novos eleitos. “A carta trata não só de uma cidade conectada e inovadora, mas também de uma cidade segura, inclusiva e economicamente forte. Para você ter uma cidade inteligente é preciso ter o desenvolvimento urbano e sustentável”, ressalta Eliana.

 

São oito objetivos estratégicos para orientar o planejamento dos municípios. O documento frisa que “as discussões e iniciativas de cidades inteligentes surgem em plena época de transformação digital”, processo acelerado nas administrações públicas durante a pandemia e que vem exigindo novas formas de relacionamento entre poder público e cidadão.

 

A Carta destaca que:

 

“Cidades Inteligentes são cidades comprometidas com o desenvolvimento urbano e a transformação digital sustentáveis, em seus aspectos econômico, ambiental e sociocultural, que atuam de forma planejada, inovadora, inclusiva e em rede, promovem o letramento digital, a governança e a gestão colaborativas e utilizam tecnologias para solucionar problemas concretos, criar oportunidades, oferecer serviços com eficiência, reduzir desigualdades, aumentar a resiliência e melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas, garantindo o uso seguro e responsável de dados e das tecnologias da informação e comunicação”.

 

O diretor da RCD, José Marinho, ressalta que o documento surge para direcionar as ações da administração pública municipal de forma integrada. "É um caminho sem volta. As Prefeituras precisam definir um planejamento estratégico a curto, médio e longo prazo, estruturar, aquelas que ainda não possuem, um departamento de TI para conduzir as ações em conjunto com as Secretarias", observa.