Não surpreende que tenha utilizado o nome de Deus, recurso
habitual em suas falas. Também não surpreende a insistência em exaltar sua
juventude. O que preocupa, no entanto, é a forma como se dirigiu aos mais
velhos, tratando-os de maneira pejorativa ao chamá-los de
"medalhões".
Seria algo corriqueiro, se não revelasse um traço perigoso
de sua retórica: uma aparente aversão à experiência e à trajetória dos que
vieram antes. É compreensível que a juventude traga entusiasmo e novas
perspectivas, mas desprezar os mais velhos é um erro que pode levar a uma
política excludente e desrespeitosa.
Curioso que a base de sua fé, a Bíblia, exorta diversas
vezes a valorização dos idosos. Em Eclesiastes 11:10, a advertência é clara:
"Afasta, pois, a ira do teu coração, e remove da tua carne o mal, porque a
adolescência e a juventude são vaidade".
Paulo, em sua carta a Timóteo, instrui: "Não repreendas
asperamente a um velho, mas admoesta-o como a um pai; aos moços, como a
irmãos" (1 Timóteo 5:1).
A sabedoria e a experiência não podem ser descartadas ou
minimizadas. Em Levítico 19:32, a orientação é clara: "Diante das cãs
(cabelos brancos) te levantarás, e honrarás a face do ancião, e temerás o teu
Deus. Eu sou o Senhor."
Desprezar aqueles que trilharam caminhos antes de nós é
ignorar o legado que nos permitiu avançar. Se pudesse aconselhar o vereador
Welliton, diria como a um filho: respeite os mais velhos, aprenda com sua
sabedoria e honre sua experiência. Se deseja usar o nome de Deus em suas falas,
faça-o com humildade e respeito. Afinal, as Escrituras foram escritas por
homens que viveram muito e souberam interpretar a vida através da experiência
acumulada.
A juventude passa. O respeito e a sabedoria são eternos.

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